sábado, 17 de dezembro de 2011

O estudo analítico do poema

Esta explanação foi estruturada com base no livro de Antônio Candido, não tendo fins de plágio ou cópia, mas para melhor compreensão dos aspectos poéticos. A estrutura foi baseada no livro e algumas citações foram colocadas entre aspas.


Explicação
“Este volume contém a parte teoria um curso dado em 1963 e repetido em 1964 para o quarto ano de teoria literária.” 
Introdução
·        A linguagem poética está mais distanciada do cotidiano que a linguagem prosaica.
·        O alunado deseja saber diferenciar prosa e poesia.
·        “Poesia e literatura estão intimamente ligados sendo a poesia a forma suprema de atividade criadora da palavra.”

Apresentação do programa
1.      “Trataremos do poema e não da poesia”.
2.      “Faremos a análise e não interpretação”.

a)      Poema e não poesia.
·   A poesia não se restringe apenas a verso e metrificação. Podendo haver poesias em prosa ou verso livre.
·   O verso pode está presente em textos não configurando um poema.
·   A poesia didática parece mais próxima dos valores da prosa.

b)      Análise mais do que interpretação.
·   “Todo estudo real da poesia pressupõe a interpretação, que pode inclusive ser feito diretamente, sem recurso ao comentário, que forma a maior parte da análise.”
·   “O comentário é essencialmente o esclarecimento objetivo dos elementos necessários ao entendimento adequado do poema.”
·   “Não há comentário valido sem interpretação; e que pode haver interpretação válida sem comentário.”
Comentário e interpretação literária
·   O texto literário expõe uma tradução de sentido e tradução de conteúdo humano.
·   “O comentário é uma espécie de tradução, feita previamente a interpretação.”
·   “Interpretar significa produzir e determinar com penetração compreensiva e linguagem adequada a matéria, a estrutura íntima, as normas estruturais peculiares, segundo as quais a obra literária se processa, se define e se constitui de novo como unidade.” (Emil Staiger)
·   “A analise comporta praticamente um aspecto de comentário puro e simples, que é o levantamento de dados exteriores à emoção poética, sobretudo dados históricos e filológicos.”
·   A analise pode ser mais análise-comentário ou mais analise-interpretação.

1 OS FUNDAMENTOS DO POEMA

A) SONORIDADE
·         Todo poema e prosa tem uma estrutura sonora.
·         A estrutura sonora pode ser:
- Poema com versos metrificados
- Poema com versos livres ou regulares
- Prosa
·        Os fonemas podem despertar sensações e emoções.
·         As sensações e emoções podem variar de acordo com a interpretação de cada individuo.
·        A expressividade do som em uma palavra é explicada por Saussure ele afirma que “o signo lingüístico (palavra) é composto por um significado e um significante. O significante é uma imagem acústica e o significado é o conceito que a palavra transmite.” – Signo é arbitrário.
·        Segundo Damaso Alonso “os significantes não transmitem conceitos, mas delicados complexos funcionais. Significado é uma carga complexa. De modo algum podemos considerar o significado em sentido meramente conceitual, mas levando em conta essas áreas. O significado é sempre complexo, e que dentro dele se pode distinguir uma série de significados parciais”.

A teoria de Grammont
·        Grammont afirma na sua teoria que existe ligação entre a sonoridade e o sentimento.
01 – Repetição de fonemas
A.) de sílaba Ex.: coucou
B.) de Vogal Ex.: monotone
C.) de consoante Ex.: Palpite
Os tipos de Repetição:
1. “Palavras ou palavras”
2. “Fonemas isolados a busca dos mais variados efeitos”
3. “Duas ações paralelas, das quais a segunda segue regularmente a primeira, sendo eventualmente sua consequência”.
4. Uma série de acontecimentos em sequência rápida, dependendo um do outro, ou paralelos.
5. Insistência. Repetição de fonemas essenciais e marcantes.
02 – Vogais:
1. Agudas.
2. Claras.
3. Brilhantes.
4. Sombrias.
5. Nasais.
03. Consoantes:
1. “Momentâneas são as explosivas próprias, as idéias de choque: oclusivas, surdas e sonoras”.
2. Contínuas Nasais: m, n; líquidas: l, r; espirantes (sibilantes s, z, f, v e chiantes j e ch).
3. Reunião de Consoantes diversas.
·         A junção de consoantes ou vogais podem formar fonemas com expressividade diferenciada, fazendo com que cada verso possa ter efeito diferentes.

Rima:
·         Rima é a sonoridade do verso.
·         A poesia moderna se apóia mais no ritmo do que na rima.
·         A rima tem por função principal criar recorrências do som marcante, continua e nítida no poema.
·         A distinção da mais importante da rima é de que ela é composta por consoantes e toantes.
·         Alem da rima, há outras homofonias como recorrências do som marcante e anáfora.
·         Em relação ao parnasianismo e ao simbolismo, no modernismo ouve uma significativa dessonorização.
·         Recentemente houve uma retomado da sonoridade do poema.

B)    RITMO

·         Ritmo é a alternância de passos regulares, é a mudança de sonoridades mais fracas e mais fortes, formando uma unidade configurada expressiva.
·         O ritmo tem por funções:
- Dar movimento ao poema.
- Elemento organizador.
- Elemento estético.
                
            C)    METRO

·         Os tipos de verso regular nas línguas românticas são classificadas são classificadas em função das silabas poéticas que contêm.
·         “Conta-se até à última tônica em francês, e, a seu exemplo, em português; conta-se até à última, átona ou tônica, em espanhol e italiano.”
·         O número de sílabas poéticas de um verso chama-se metro.
·         O número de segmentos rítmicos chama-se ritmo.
·         Cada metro ou esquema silábico pode ter vários correspondentes rítmicos.
·         A metrificação poética pode ter uma expressão numérica. Ex: decassílabo 10(4, 8, 10).verso  dez sílabas com tônicas na quarta, oito e décima.
·         Cada escola literária possuem metros que é mais conveniente , seguindo os ritmos que mais se adequam.
·         Atualmente o sistema de metrificação cedeu lugar ao ritmo.

D)   VERSO

·         É simplório, analisarmos o verso como conjunto de fonemas e combinações que originam sílabas, responsáveis pelo ritmo.
·         No entanto o verso é palavra.
·         São as palavras que colocamos em nossa mesa cirúrgica e retalhamos em nosso critério, para analisar o fenômeno do metro e do ritmo.
·         A palavra é a ferramenta do trabalho do poeta e peça que compõem o verso.
·         Verso, unidade do poema, cuja alma é o ritmo e não o metro.

2. As Unidades Expressivas:
·         Parte constitutiva da linguagem poética, palavras cheias de um significado expresso pelo poeta, arranjo de palavras de maneira clara ao leitor.
·         É o homem que faz o verso. Ele é dotado de uma perspicácia especial em relação às palavras, e sabe explora-las, poli-las usando uma técnica adequada. Mas não são todos os homens, apenas os de máxima eficácia, só a eles ocorre o que chamamos inspiração.
·         “A poesia é contagiante, base de riqueza emocional, gente fria, sem paixão, sem intensidade emocional, não faz poesia grande” John Press.

3. O destino das palavras:
·         No poema, as palavras variam, ao modo do ritmo, mas têm significado contornado pelo poeta.
·         Convém distinguir linguagem direta, que indica em termos claros, no seu sentido exato, o conceito transmitido. Exemplo: estava perto da montanha. Linguagem figurada, aquela em quem efetuamos mudanças de sentido, levando atributos, conceitos de certas palavras a outras.
·         O poeta usa palavras em sentido próprio e figurado.

As modalidades de palavras figuradas:
·         Imagem, toda figuração de sentido que faz as palavras dizerem algo diferente, de seu escrito valor semântico.
·         “Atualmente não há grande interesse em manter as complicadas distinções tratadistas. Inclusive a distinção entre imagem e metáfora perde muito da eficácia prática para a análise, embora conserve o valor lógico. O que importa assinalar é que em ambas ocorre o mesmo fenômeno fundamental: alterações de sentido pela comparação, explícita ou implícita, de dois termos.”

Referência Bibliográfica:
CANDIDO, Antônio. O estudo analítico do poema. 5.ed. – São Paulo: Associação Editorial Humanitas, 2006.

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