quinta-feira, 16 de junho de 2011

Educação: A bagunça organizada


Educação: A bagunça organizada

As escolas têm por função principal formar cidadãos críticos e conscientes de seus direitos e deveres. É muito difícil imaginar o modelo ideal de ensino, pois apesar de estarmos organizados em sociedade a maioria de nós não a compreende e não atua como protagonista desta. Ao mesmo tempo, há imposições do próprio meio em que estamos integrados que agem de modo contraditório, dando prioridade a livre concorrência e repreensão de qualquer modelo que contrarie o sistema vigente, influenciando na reprodução dos sistemas pedagógicos praticados nas escolas. O alunado fica submisso às práticas didáticas que muitas vezes os privam de uma visão ampla e continua de si mesmo e do mundo, tendo apenas qualificações fragmentadas, sem aprofundamento teórico e muito menos prático do que é visto em sala de aula.

O caos que a educação está passando é reflexo dos maus parâmetros educacionais que são aplicados de forma retrógrada ou imaginária, pois o fato é que os Parâmetros Curriculares Nacionais não funcionam e não conseguem sair do papel. Pior que isso, desqualifica o profissional educador, que aprende em sua graduação metodologias inovadoras, ao passo que na realidade é praticado as mesmas formas de ensinar da década de 70. Absurdos como esses, somados com a falta de estrutura, de investimentos, má remuneração e descontrole numérico de alunos por escola, reproduzem o grau cultural de uma nação. Há um descaso enorme por parte do Estado, que nega ao seu próprio povo a acessibilidade á sua auto-suficiência. Não é recente a omissão governamental, sendo praticada desde nossa colonização e sendo mantida até a era da modernidade.


Os professores de hoje são meros produtos de nossos modelos didáticos de ontem. O que se ver nas escolas de ensino regular é um magistério sem ânimo e pouco qualificado, mais que isso, confuso e perdido, sem imposição, repassando quase que de forma padronizada e literal os conteúdos impostos por projetos pedagógicos que não contemplam a formação do alunado para o exercício da cidadania e a sua qualificação para o mercado de trabalho.


A nossa educação precisa com grande urgência de uma reformulação pedagógica imediata, em que  a prioridade do ensino seja o aluno e onde os meios de aprendizagem sejam interdisciplinares, multi-funcionais e que aja efetiva utilização da teoria com a prática, fornecendo ao alunado as competências e as habilidades propostas pelo PCN e o cumprimento da Lei de Diretrizes e Bases da Educação. Não podemos aceitar que as Leis e os Parâmetros sirvam apenas para organizar essa bagunça. É função de cada profissional da área rever seus métodos e conceitos, desvincular o atraso que permeia nas escolas e revindicar uma mudança que promova recursos e condições plausíveis para a aplicação dos documentos oficiais. 

O que acontece é que o absurdo está virando normalidade, está tão trivial que majoritariamente pouco se faz para que ocorra alguma mudança. Infelizmente, quem sai perdendo é toda a nação, tendo um povo surdo e mudo aos acontecimentos, já que nunca teve uma educação de qualidade, por tanto não sabendo o que fazer para resolver seus próprios interesses.



Ao usar este artigo, mantenha os links e faça referência ao autor:
HIROTSU, Priscila. Artigo de opinião: Educação: A bagunça organizada . João Pessoa, PB. Publicado 16/06/2011 em:  http://www.gerandoletras.blogspot.com\

O letramento e a função social da escrita


Alfabetizado e Letrado


Analfabeto é aquele que desconhece o alfabeto, portanto que não sabe ler nem escrever. Analfabetismo é o modo de permanecer analfabeto. Alfabetização é a ação de alfabetizar, de se tornar alfabetizado. Existe também o chamado “analfabeto funcional” que é quanto se sabe ler e escrever, mas sem compreensão.

Um indivíduo alfabetizado não é necessariamente letrado, ser letrado é submeter-se à leitura e à escrita e se responsabilizar socialmente de acordo com seu meio fazendo uso diário de leitura e escrita.

Letrado é aquele que não apenas têm o conhecimento das letras, mas também as domina e faz uso fluente delas. A palavra letramento surgiu consequentemente com a evolução da tecnologia, dos meios de comunicação, da necessidade de integração com o conhecimento humano, entre outros que deram sua contribuição para a principal das evoluções que foi a evolução da sociedade.

Essa globalização sofrida pelo mundo, principalmente nas últimas décadas, nos leva à necessidade de ter conhecimentos variados nas mais diversas áreas. Toda essa aquisição de saber dá-se através da leitura o que gera uma visão de mundo diferenciada daqueles que não tiveram o mesmo acesso, podemos dizer que a pessoa erudita ou letrada não só está intelectualmente à frente de uma pessoa alfabetizada, como também socialmente, pois além de entender a sociedade compreende que é agente transformador desta.

A escrita também é modificada com os patrões de letramento, pois consequentemente, lendo mais você irá escrever melhor, deste modo há de se observar às necessidades, as demandas de cada individuo e do seu contexto social e cultural.

Segundo Magda Soares, o letramento pode ter uma dimensão individual ou uma social. Individual é quando basicamente sabe-se ler e escrever com compreensão. Dimensão Social, são as práticas humanas tanto da escrita como da leitura em que os indivíduos envolvem-se socialmente.


A importância da escrita


A escrita em seus primórdios era produzida com intenções comerciais de informação, porém com o passar do tempo, quando a fala não deu conta do contexto social enquanto modo de expressão, surgiu o interesse de registrar os conhecimentos filosóficos e científicos além da própria necessidade de comunicação. Ela está diretamente interligada com todos nós, mesmo que não sejamos alfabetizados. Vemos diariamente um contingente de informações e propagandas na TV, na internet, nas ruas que de certa forma nos influenciam.

É imprescindível a escrita tanto para a exploração, compreensão e expressão de idéias e sentimentos. Não é preciso ser um profissional para escrever bem, já que a expressão está ao alcance de todos, muito menos escrever um longo texto para que ele seja considerado como bom, tento em vista que um dos textos mais importantes da nossa historia “O manifesto comunista” de Marx continha umas poucas páginas e revolucionou os pilares sociais do mundo até hoje.

Sem dúvidas, sem os registros filosóficos e científicos obtidos não teríamos o acervo de todo conhecimento, tecnologia e desenvolvimento que temos atualmente. De fato a escrita têm dado sua contribuição histórica, ao mesmo tempo nos perguntamos: Usufruímos desse legado e qual o papel da escola na formação cidadã e literária?



Escrita e sociedade


Concluímos a importância elementar da escrita e da literatura em nossas vidas, contudo a escola, por diversos impasses, não consegue educar cidadãos plenos. Levar o hábito do letramento para as salas de aula tem caráter urgentíssimo, apenas quando a escola for capaz de cumprir com seu papel didático e social, em que o alunado consiga sair formado e informado de seus deveres e direitos de cidadão é que teremos uma sociedade de pleno direito livre.

Os desafios para os profissionais da educação são enormes, visto que o investimento das áreas competentes ainda é pouco comparado com a dimensão social e as disparidades, ao mesmo passo temos que fazer uma autocrítica revendo diariamente as melhores formas possíveis de formar escritores e leitores proficientes e competentes.



Referências Bibliográficas:
Textos originais de:
SOARES, Magda. Letramento: um tema de três gêneros. 2. ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2006. 128 p.
Brakling, Kátia Lomba. Sobre leitura e formação de leitores. Edição: EducaRede. Março/2003.


Ao usar este artigo, mantenha os links e faça referência ao autor:
HIROTSU, Priscila. Artigo: O letramento e a função social da escrita. João Pessoa, PB. Publicado 16/06/2011 em: http://www.gerandoletras.blogspot.com\