sexta-feira, 8 de julho de 2011

67 milhões de crianças não têm acesso à educação

A desigualdade social e o acesso ao ensino

No período clássico grego a educação era restrita apenas aos sacerdotes e nobres, e a língua era tida como valor de uso na sociedade, defender a língua e a perspectiva filosófica (a educação) era uma forma de proteção da nação e da sociedade. Infelizmente com as invasões dos bárbaros (povos que não falavam grego) a Grécia foi tomada e sua filosofia resgatada por estudiosos séculos depois, que a estudam até os dias de hoje.
Nas monarquias o estudo também era restrito apenas ao clero e a corte; no feudalismo ouve uma abertura para quem tivesse condições de pagar o ensino, ou seja, os senhores feudais e alguns apadrinhados tinham a oportunidade de serem custeados, entretanto as camadas sociais baixas como escravos e negros não podiam ter o mesmo ensejo; na reforma protestante uma das proposições de Lutero era a tradução da bíblia do latim para as demais línguas, mas a igreja lutou fervorosamente contra, alegando que seria um absurdo pessoas não eclesiásticas terem os mesmos conhecimentos divinos. Atualmente, mesmo com a evolução da sociedade e do pensamento continuamos com uma desigualdade dos tempos clássicos.
No final do sec XIX para o começo do sec XX o mundo passava por uma revolução industrial onde a motricidade e velocidade acompanhava o homem, mas essa velocidade e dinamicidade não chegaram às escolas, muito menos a mesmas oportunidades.
.O que vemos é que a educação está restrita apenas a quem tem status social e que só se tem o status se tiver educação... Será que hoje em dia avançamos rumo à igualdade?
Segundo a ONU 67 milhões de crianças são privadas da educação no mundo. É difícil de imaginar sobreviver em mundo grafocentrico, onde não só as palavras mais também os diversos tipo de conhecimentos cognitivos são usados diariamente para tentar acompanhar o mundo globalizado.
As crianças não são as únicas afetadas pelos problemas de acesso à educação, 17% dos adultos de todo o mundo, são analfabetas, e deste percentual dois terços são mulheres. Esta diferença de gênero é ainda notada na atualidade entre as crianças. Conforme o Ecosoc, se a paridade de gênero tivesse sido alcançada em 2008, 3,6 milhões de meninas mais teriam assistido à escola.

Os países mais ricos investem mais em armas que em educação

Com o sistema republicano em que vivemos, cabe ao estado oferecer a população educação, que deveria ser pública, gratuita e de qualidade, já que em forma de impostos pagamos indiretamente por ela. Como citamos a cima o acesso ao ensino acaba por ter consequências libertadoras e indutivas à ancessão social, visto que a educação gera uma visão de mundo diferenciada dos demais e melhora todos os aspectos cognitivos.
“A caçada a Osama bin Laden levou quase 10 anos – precisamente 3.519 dias – e custou aos cofres norte-americanos US$ 1,283 trilhão, o que corresponde a um gasto diário de aproximadamente US$ 364,5 milhões, com duas guerras – no Iraque e no Afeganistão –, além de outros custos com defesa. Na administração George W. Bush e Barack Obama, o governo gasta, por hora, R$ 15,2 milhões em guerras”. (Itamaraty).
O Brasil teve um PIB (Produto Interno Bruto) de R$ 3,675 trilhões em 2010, desse valor foram investidos 4,7% (R$ 140 bi), o maior valor da história no setor da educação, entretanto foram gastos 39,6% do PIB para pagar a divida publica nesse mesmo ano.

Quem são as 67mi de crianças que não estudam?

Como era de se imaginar a maior proporção de analfabetos e de evasão escolar encontra-se nos paises mais pobres e em zonas de guerra. Fatores como acessibilidade, a falta de estrutura e principalmente a pobreza extrema contribuem para agravar ainda mais a situação. È difícil de imaginar viver em um país em que situações mínimas de alimentação e habitação são cotidianas, pensar em ensino e formação superior é uma ilusão longe.
Além disso, nos países menos desenvolvidos, 195 milhões de crianças menores de cinco anos - uma em cada três - sofrem de desnutrição, o que causa danos irreversíveis ao desenvolvimento cognitivo.
O relatório analisa ainda a maneira na qual as guerras afetam à escolarização das crianças, já que na última década 35 países sofreram com conflitos armados com duração média - nos países mais pobres - de 12 anos. Nesse período, 28 milhões de crianças - 42% do total - foram obrigadas a abandonar a escola primária por causa dos conflitos, responsáveis pela destruição de escolas e que transformam em muito perigosos os caminhos até as escolas.
Por exemplo, no Afeganistão foram registrados ao menos 613 ataques as escolas em 2009; na Tailândia 63 estudantes e 24 professores foram assassinados ou feridos entre 2008 e 2009, e, na República Democrática do Congo, um terço das violações ocorreu contra meninas, das quais 13% são menores de dez anos.
De um modo otimista e platônico poderíamos imaginar os investimentos em guerras e instrumentos bélicos investidos em ajudar o desenvolvimento dos povos, na cooperatividade dos países.


Fontes:
Conselho Econômico e Social da ONU (Ecosoc)
MEC/Inep.
Veja, 10 de agosto de 2010.


Ao usar este artigo, mantenha os links e faça referência ao autor:
HIROTSU, Priscila. Artigo: A desigualdade social e o acesso ao ensino. João Pessoa, PB. Publicado 08/07/2011, em: http://www.gerandoletras.blogspot.com\